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    <title>Psicanálise</title>
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    <description>Quando algo é dito, o redor se transforma.</description>
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      <title>Psicanálise</title>
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    <item>
      <title>O equívoco do Sujeito Suposto Saber</title>
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      <content:encoded>&lt;div data-rss-type="text"&gt;&#xD;
  &lt;h3&gt;&#xD;
    &lt;strong&gt;&#xD;
      
           Um dispositivo analítico essencial à passagem de analisando à analista
          &#xD;
    &lt;/strong&gt;&#xD;
  &lt;/h3&gt;&#xD;
&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div data-rss-type="text"&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           O conceito do “sujeito suposto saber”, introduzido por Jacques Lacan, ocupa um lugar central na prática e na teoria psicanalítica. Ele opera como um dispositivo fundamental que sustenta a transferência e o movimento da análise, permitindo a passagem de analisando à analista. Esse equívoco estruturante — de que o analista é aquele que detém um saber sobre o inconsciente do analisando — não apenas instaura o trabalho analítico, mas também aponta para seu desfecho.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           Lacan nos adverte sobre os riscos de inflar o inconsciente de “representações imaginárias” (2003, p. 329), isto é, de promover uma relação fetichista com o saber supostamente alojado no analista. Esse “olhar” imaginário que busca encontrar “alguém” dentro do inconsciente não é apenas ilusório, mas também desvia do trabalho essencial da análise: o deslocamento do sujeito do campo do imaginário para o simbólico.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           Na medida em que o analisando se confronta com a falha, o vazio e a castração inerentes ao saber do outro, emerge uma possibilidade ética singular: a de assumir sua posição subjetiva diante da falta. É precisamente nessa travessia que se opera a passagem à posição de analista, não como aquele que “sabe”, mas como aquele que ocupa um lugar de causa do desejo, permitindo o desdobramento da experiência analítica em sua dimensão mais radical.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           O equívoco do sujeito suposto saber, portanto, não é um obstáculo, mas um motor essencial do processo analítico. Ao longo da análise, o sujeito é levado a desvelar o caráter fictício desse saber, descobrindo que a resposta não reside no outro, mas no ponto em que o desejo se articula ao inconsciente. Esse movimento não apenas dissolve a ilusão de completude, mas também revela a função do analista como suporte desse equívoco estruturante, que se dissolve à medida que o sujeito encontra seu lugar no campo do desejo e no discurso analítico.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
                   Assim, a psicanálise afirma sua ética: não a de fornecer respostas prontas, mas a de sustentar um espaço onde o sujeito possa lidar com a falta e reinscrever seu desejo. A travessia do equívoco do sujeito suposto saber revela, em última instância, a função do analista não como mestre do saber, mas como operador de uma ausência que possibilita o movimento e a transformação do sujeito no processo analítico.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;br/&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            Maria Odete G Galvão
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            Psicóloga e Psicanalista
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            Especialista em Psicanálise e linguagem
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           Mestre em Semiótica 
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            ﻿
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           Referências Bibliográficas
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
            
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           LACAN, Jacques. O engano do sujeito suposto saber. In: ______. Outros Escritos. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
&lt;/div&gt;</content:encoded>
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      <pubDate>Sun, 31 Aug 2025 17:51:54 GMT</pubDate>
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    </item>
    <item>
      <title>Autorizar-se analista</title>
      <link>https://www.nuppac.net/autorizar-se-analista</link>
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      <content:encoded>&lt;div data-rss-type="text"&gt;&#xD;
  &lt;h3&gt;&#xD;
    &lt;strong&gt;&#xD;
      
           Autorizar-se analista é autorizar-se a si mesmo a apostar no inconsciente
          &#xD;
    &lt;/strong&gt;&#xD;
  &lt;/h3&gt;&#xD;
&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div data-rss-type="text"&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            A formulação lacaniana “autorizar-se por si mesmo” revela o caráter ético e singular da formação do analista. Esse percurso não se pauta pela certificação institucional ou pelo reconhecimento externo, mas por um ato subjetivo que envolve a aposta radical no inconsciente. Ser analista, nesse sentido, não é uma posição conferida pelo Outro, mas uma consequência de uma travessia: a do próprio sujeito em análise.
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           A autorização para ocupar o lugar de analista nasce, portanto, de uma aposta no saber inconsciente — um saber que não se possui, mas que se manifesta nos lapsos, nos atos falhos e nas formações do desejo. Esse movimento implica reconhecer que o inconsciente não é um depósito de certezas ou verdades prontas, mas um campo atravessado pela falta, pelo equívoco e pela lógica do desejo.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            Autorizar-se como analista não significa ocupar o lugar de um mestre ou de um detentor de saber. Ao contrário, é colocar-se no ponto de causa, sustentando o vazio que estrutura o sujeito e permitindo que o analisando articule sua própria relação com o inconsciente. É um ato ético, no sentido de uma escolha que se funda no singular, no irredutível do próprio desejo e na experiência vivida em análise.
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            A aposta no inconsciente é, assim, uma aposta na possibilidade de transformação, tanto do analisando quanto do próprio analista. Trata-se de sustentar o lugar de operador de um discurso que não promete completude, mas que possibilita a inscrição de algo novo: o desejo do sujeito em sua singularidade. Essa aposta, que Lacan articula como “fé no inconsciente”, é o que permite ao analista ocupar seu lugar de forma legítima, não por uma autorização externa, mas por uma responsabilidade ética que se funda na sua própria travessia.
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;span&gt;&#xD;
        
            ﻿
           &#xD;
      &lt;/span&gt;&#xD;
      
           Ao autorizar-se analista, o sujeito assume a condição de operar naquilo que Lacan chamou de “ato analítico”: um gesto que sustenta o campo do desejo, do equívoco e do inconsciente como motor da subjetividade. É um ato que, mais do que se submeter a uma norma, implica criar a partir da falta, apostando na potência transformadora do desejo e na experiência singular do inconsciente.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      &lt;br/&gt;&#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
  &lt;p&gt;&#xD;
    &lt;span&gt;&#xD;
      
           Maria Odete G Galvão Psicóloga é Psicanalista Especialista em Psicanálise e Linguagem Mestre em Semiótica.
          &#xD;
    &lt;/span&gt;&#xD;
  &lt;/p&gt;&#xD;
&lt;/div&gt;</content:encoded>
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      <pubDate>Sun, 31 Aug 2025 17:39:56 GMT</pubDate>
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